
A Associação Nacional de História (ANPUH) manifesta-se publicamente sobre a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, proferida em 24 de fevereiro de 2026, que manteve, por unanimidade, a condenação da Volkswagen do Brasil ao pagamento de R$ 165 milhões por danos morais coletivos em razão da prática de trabalho análogo à escravidão na antiga Fazenda Vale do Rio Cristalino, no sul do Pará, durante as décadas de 1970 e 1980.
A decisão judicial reconhece que não se tratava de episódios isolados, mas de um sistema estruturado de exploração humana, marcado por servidão por dívida, vigilância armada, condições degradantes de trabalho e tráfico de pessoas. Trata-se de um dos casos mais graves de trabalho escravo contemporâneo na história recente do Brasil, envolvendo centenas de trabalhadores submetidos a violações sistemáticas de direitos humanos.
A ANPUH destaca que o julgamento é fruto de décadas de denúncia, pesquisa e mobilização social na Amazônia. A Clínica de Combate ao Trabalho Escravo da UFPA – Frei Henri Burin des Roziers, em parceria com outras entidades, teve papel central na preservação da memória das violações e na defesa da responsabilização institucional. O trabalho de pesquisadores, movimentos sociais, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Ministério Público do Trabalho demonstra que justiça histórica depende da preservação da memória e do compromisso contínuo com a verdade.
É relevante recordar que, à época dos fatos, o empreendimento contou com incentivos fiscais e recursos públicos. A decisão judicial explicita que tais benefícios, que deveriam promover desenvolvimento social, foram associados a um modelo de produção que violou direitos fundamentais.
Para a ANPUH, justiça não é apenas sentença: é memória, é mobilização e é compromisso permanente com a dignidade humana. Ao se pronunciar sobre o caso, a ANPUH reafirma seu compromisso com a pesquisa histórica rigorosa, com a defesa dos direitos humanos e com o fortalecimento das instituições democráticas. Preservar a memória do trabalho escravo na Amazônia é condição essencial para que tais violações não se repitam e para que o país avance na construção de uma sociedade fundada na justiça social e no respeito à dignidade de todos.
Associação Nacional de História – Brasil.


























































































